Para quem eu
vivo? Para quem você vive?
Sim, tudo que
fazemos é pra alguém, pra algum espectador, para alguém ver/sentir/entender,
isso é fato. Usando a lógica da programação, cada ato voluntário e consciente
nosso é um dado de entrada que objetiva um dado de saída, e esse dado de saída
tem que ter uma finalidade. Refletindo um pouco já nos vem uma primeira resposta:
a esmagadora maioria de nossas ações é voltada para (adivinha?), nós mesmos. O
extinto de sobrevivência nos faz agir visando o conforto pessoal, a longo ou
curto prazo, direta ou indiretamente, em algo que podemos, com um pouco de
simplismo, chamar de “busca pela felicidade”. Assim, se eu compro um sorvete na
praia em um dia de calor é porque fiz uma equação na qual o vetor negativo (a
perda de uma parte do meu dinheiro) supera o vetor positivo (meu prazer em
atenuar o calor e saborear a guloseima), quando você decide dormir um pouco
mais tarde assistindo a um filme cuja história te envolveu apesar do sono que
vem chegando e ter que acordar cedo no outro dia, mais uma vez houve uma soma
de vetores, cujo saldo foi positivo e você “entendeu” como algo que resultará
em “felicidade”. Quando uma mãe faz algum sacrifício material pelo seu filho,
ela também equacionou que a perda pessoal ou o gasto causado pelo seu gesto são
superados pela felicidade do filho, que, em última análise, acarretará também
em sua felicidade, uma vez que há uma ligação de causa e efeito materno-filial.
Esse é um raciocínio que talvez tendamos a evitar, pois nos configura como
egoístas extremos, uma vez que, pensando desta forma, todas as nossas ações
seriam voltadas para nosso próprio prazer. Mas antes de irmos aos juízos de
valor consideremos agora um grupo de atitudes que são um desdobramento das
acima citadas: as quais chamaremos de “atitudes sociais”. Que nada mais são do
que tudo aquilo que fazemos e será visto pelos demais: pra onde saímos para nos
divertir, quais clube frequentamos, que emprego escolhemos ter, que roupas
vestimos ou com quem e com o que gastamos o nosso tempo. Todas essas atitudes,
ou decisões, passam pelas mesmas ponderações de perda e ganho citadas
anteriormente, todavia agora temos um fator que será extremamente decisivo
nesse cálculo: a reação das demais pessoas. Basta refletir um pouco, puxar pela
memória e veremos o quanto as reações de terceiros (aprovação, rejeição ou até
mesmo a indiferença) afetam as decisões que tomamos. Daí algo mais tem que ser
considerado: esses terceiros não são simplesmente todas as pessoas que
conhecemos ou todos os espectadores de nossas ações, visto que estabelecemos
inconscientemente hierarquias, “pesos” diferentes a essas pessoas. Assim, por
exemplo, a opinião ou reação de sua mãe pode influenciar mais no modo como você
se veste do que a de um amigo que você vê raramente. Por outro lado, uma em
outra decisão sua, como ir a um barzinho x numa sexta-feira à noite pode ter
sido influenciada por esse mesmo amigo, caso você saiba que ele frequenta e
gosta do local, mesmo que inconscientemente você tenha associado a vida social
que ele tem e que você considera “legal” à ida ao bar. Logo há uma relação
direta entre esses “pesos” que distribuímos às pessoas em nossas tomadas de
decisões e os nossos interesses e objetivos. Se fazemos algo é para alguém e,
mesmo que inconscientes disso, é porque essa pessoa de alguma forma nos
influencia ou tem algo que nos é importante. Sejam nossos pais, a quem
procuramos orgulhar ou mostrar que crescemos e somos responsáveis, amigos para
quem queremos mostrar ser “legais” e assim ser aceito no grupo ou um
namorado(a)/esposo(a), fazemos coisas para “públicos”, que são definidos
inconscientemente de acordo com nossos interesses racionais ou não.
A partir disso
podemos gerar algumas reflexões: Para quem eu vivo? As minhas atitudes e
objetivos, para quem quero mostrar além de mim mesmo? Quando penso em fazer
algo ou mudar qualquer aspecto da minha, qual(is) é(são) a(s) pessoa(s) que me
vem a mente para que eu pondere: “o que ‘fulano de tal’ irá pensar de mim?”...
E talvez a mais importante: “Tem valido a pena ter essas pessoas como padrão
para tomar minhas decisões?”.
Enfim, simples
perguntas que podem dizer muito sobre quem somos...