sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Rio Amarelo

Dia desses, eu lia na internet uma notícia sobre o Rio Amarelo, na China, que dizia que a existência deste está ameaçada por ele eventualmente não conseguir mais chegar até o mar.
Pensei comigo mesmo: “Deve ser muito triste para um rio não conseguir mais encontrar o mar”...
Daí eu pensei um pouco mais: nós somos como rios, e não há nada mais triste do que alguém acabar antes de morrer. Ver-se senescer, não só fisicamente (O que é relutado, mas perfeitamente justo, visto que é uma condição que iguala todos), mas ver suas alegrias esvaídas e a sua voz não mais alcançar ouvidos e retornar num eco triste.

Acho que deveria haver uma lei, não oficial nem escrita em papel algum, mas moral, para que todos ditos ou acreditados “jovens” devessem visitar um asilo de vez em quando. Que fossem desafiados a entender, sentir e se colocar no lugar daqueles que agora caminham lento, olham cansado e carregam consigo uma lição aprendida e vivida.
Talvez seja uma maneira de nós, tão presos ao presente, olharmos um pouco pro nosso passado... Ou quem sabe nosso futuro...

Espero que um dia, mesmo sendo um rio cansado, que se alguém cavucar possa encontrar um córrego de esperança correndo ainda... Para o mar...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Para quem eu vivo

Para quem eu vivo? Para quem você vive?
Sim, tudo que fazemos é pra alguém, pra algum espectador, para alguém ver/sentir/entender, isso é fato. Usando a lógica da programação, cada ato voluntário e consciente nosso é um dado de entrada que objetiva um dado de saída, e esse dado de saída tem que ter uma finalidade. Refletindo um pouco já nos vem uma primeira resposta: a esmagadora maioria de nossas ações é voltada para (adivinha?), nós mesmos. O extinto de sobrevivência nos faz agir visando o conforto pessoal, a longo ou curto prazo, direta ou indiretamente, em algo que podemos, com um pouco de simplismo, chamar de “busca pela felicidade”. Assim, se eu compro um sorvete na praia em um dia de calor é porque fiz uma equação na qual o vetor negativo (a perda de uma parte do meu dinheiro) supera o vetor positivo (meu prazer em atenuar o calor e saborear a guloseima), quando você decide dormir um pouco mais tarde assistindo a um filme cuja história te envolveu apesar do sono que vem chegando e ter que acordar cedo no outro dia, mais uma vez houve uma soma de vetores, cujo saldo foi positivo e você “entendeu” como algo que resultará em “felicidade”. Quando uma mãe faz algum sacrifício material pelo seu filho, ela também equacionou que a perda pessoal ou o gasto causado pelo seu gesto são superados pela felicidade do filho, que, em última análise, acarretará também em sua felicidade, uma vez que há uma ligação de causa e efeito materno-filial. Esse é um raciocínio que talvez tendamos a evitar, pois nos configura como egoístas extremos, uma vez que, pensando desta forma, todas as nossas ações seriam voltadas para nosso próprio prazer. Mas antes de irmos aos juízos de valor consideremos agora um grupo de atitudes que são um desdobramento das acima citadas: as quais chamaremos de “atitudes sociais”. Que nada mais são do que tudo aquilo que fazemos e será visto pelos demais: pra onde saímos para nos divertir, quais clube frequentamos, que emprego escolhemos ter, que roupas vestimos ou com quem e com o que gastamos o nosso tempo. Todas essas atitudes, ou decisões, passam pelas mesmas ponderações de perda e ganho citadas anteriormente, todavia agora temos um fator que será extremamente decisivo nesse cálculo: a reação das demais pessoas. Basta refletir um pouco, puxar pela memória e veremos o quanto as reações de terceiros (aprovação, rejeição ou até mesmo a indiferença) afetam as decisões que tomamos. Daí algo mais tem que ser considerado: esses terceiros não são simplesmente todas as pessoas que conhecemos ou todos os espectadores de nossas ações, visto que estabelecemos inconscientemente hierarquias, “pesos” diferentes a essas pessoas. Assim, por exemplo, a opinião ou reação de sua mãe pode influenciar mais no modo como você se veste do que a de um amigo que você vê raramente. Por outro lado, uma em outra decisão sua, como ir a um barzinho x numa sexta-feira à noite pode ter sido influenciada por esse mesmo amigo, caso você saiba que ele frequenta e gosta do local, mesmo que inconscientemente você tenha associado a vida social que ele tem e que você considera “legal” à ida ao bar. Logo há uma relação direta entre esses “pesos” que distribuímos às pessoas em nossas tomadas de decisões e os nossos interesses e objetivos. Se fazemos algo é para alguém e, mesmo que inconscientes disso, é porque essa pessoa de alguma forma nos influencia ou tem algo que nos é importante. Sejam nossos pais, a quem procuramos orgulhar ou mostrar que crescemos e somos responsáveis, amigos para quem queremos mostrar ser “legais” e assim ser aceito no grupo ou um namorado(a)/esposo(a), fazemos coisas para “públicos”, que são definidos inconscientemente de acordo com nossos interesses racionais ou não.
A partir disso podemos gerar algumas reflexões: Para quem eu vivo? As minhas atitudes e objetivos, para quem quero mostrar além de mim mesmo? Quando penso em fazer algo ou mudar qualquer aspecto da minha, qual(is) é(são) a(s) pessoa(s) que me vem a mente para que eu pondere: “o que ‘fulano de tal’ irá pensar de mim?”... E talvez a mais importante: “Tem valido a pena ter essas pessoas como padrão para tomar minhas decisões?”.

Enfim, simples perguntas que podem dizer muito sobre quem somos...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Perguntas de um trabalhador que lê

Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?


Nos livros estão nomes de reis;
os reis carregaram as pedras?E Babilônia, tantas vezes destruída,
quem a reconstruía sempre? 

Em que casas da dourada Lima viviam aqueles que a construíram?No dia em que a Muralha da China ficou pronta,para onde foram os pedreiros?

A grande Roma está cheia de arcos-do-triunfo: quem os erigiu? 

Quem eram aqueles que foram vencidos pelos césares?
Bizâncio, tão famosa, tinha somente palácios para seus moradores? 
Na legendária Atlântida, quando o mar a engoliu, os afogados continuaram a dar ordens a seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.Sozinho?César ocupou a Gália.Não estava com ele nem mesmo um cozinheiro?
Felipe da Espanha chorou quando sua armada
naufragou. 

Foi o único a chorar?

Frederico 2º venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem partilhou da vitória?
A cada página uma vitória.Quem preparava os banquetes?
A cada dez anos um grande homem.Quem pagava as despesas?


Tantas histórias,
Tantas questões


(Bertolt Brecht)