NEGO
Patriota rima com idiota...
Desde que me entendo por gente, nunca gostei da ideia de idolatrar a pátria nem de sentimentos nacionalistas... Acho que me lembra o "Nacional Socialismo" de Hitler ou Stálin... Enfim, nunca vi sentido em nada que nos categoriza baseado em linhas imaginárias que a cada dia nos aprisionam e dividem mais...
Todavia, se por um lado nunca possui 'sentimentos fortes' como brasileiro, adoto como pátria meu estado. Talvez por achar interessante o "complexo de vira-latas" que ali existe... Esse termo, outrora cunhado por Nelson Rodrigues para designar o complexo de inferioridade do Brasil em relação ao resto do mundo (no futebol e na vida, segundo o escritor carioca), hoje se aplica bem ao estado da federação que sofre com uma baixa auto-estima crônica acompanhada de uma 'resignação não-se-de-quê'...
Nada representa tão bem esse capachismo lúgubre que uma bandeira 100% dedicada a um político. Não, não um revolucionário, nem um mártir (a não ser que se considere mártir quem é executado por acerto de contas motivo por questões pessoais), mas um político coronelista, especialista na arte do conchavo, da formações dos currais eleitorais, tudo de mais anacrônico e retrógrado que existia e, é claro, existe até hoje na política tabajara. Sendo que esse é, em última análise, o maior atravancamento do desenvolvimento social e moral do meu estado.
Nesse contexto não é de se estranhar não só a bandeira como o nome da capital rendendo homenagem ao apoio à ditadura Vargas, à submissão a lei do "manda-quem-pode-e-obedece-quem-tem-juízo" e a um "nego", que não tem negado décadas e mais décadas de educação, acompanhado de muita demagogia e submissão cultural a um 'brasil' (assim mesmo, em minúsculo), pelo qual fazemos bem mais por ele do que ele faz por nós.
Certa vez, bem me lembro, a seleção brasileira de futsal acabava de se consagrar pentacampeã do mundo, na comemoração, Fininho, um dos craques do time quis mostrar seu amor pela terra natal empunhando a bandeira rubro-negra, quando o locutor Luiz Roberto que fazia a transmissão ao vivo pela Rede Globo disparou: "Olha o Fininho com a bandeira do Flamengo"... A ignorância do empregado do maior veículo de comunicação do país pra mim naquele momento foi emblemática, também não foi de se estranhar.
Não é de se estranhar... nada é de se estranhar... aliás, esse é o ponto: ninguém estranha, ninguém questiona. Chegamos ao século XXI com o mesmo culto a quem pouco tem a oferecer a nada representa ou tem compromisso com o estado. Figuras ímpares como Augusto dos Anjos, Zé Ramalho ou Chico César não têm vez para representar um estado desse. E sim uma bandeira NEGO, que nega e tem negado a mim e a meus conterrâneos ao longo dos anos.
E por falar em conterrâneos, vale lembrar que, como já dizia um deles: "A arte é de viver da fé, só não se sabe fé em quê"
